A tríade da adicção e a história do João PARTE III

O interessante é que nessa história, se encaixaria perfeitamente qualquer droga ilícita, como maconha, cocaína, heroína, ecstasy ETC. No entanto a tal substância que trazia tanto sofrimento à vida de João era uma medicação encontrada facilmente em farmácias e amplamente prescrita por diversos médicos, assim como o amigo do João, que buscava apenas ajudar o amigo a amenizar todo aquele sofrimento.

Talvez agora você esteja se perguntando o que aconteceu com o João, ou ainda como ele está atualmente. Em breve chegaremos ao final feliz desta história, mas antes me permita explicar o que é a tríade da adicção, como ela ocorre e o que podemos fazer para evita-la ou trata-la!

Quando João e Maria se separaram, dentro da mente subconsciente do João aconteceu uma associação entre emoções. Isso acabou desencadeando um processo de sofrimento muito maior do que uma separação normal. É claro que todas as separações são desagradáveis, pelo menos em um primeiro momento, no entanto essa emoção foi especial porque João acessou subconscientemente uma lembrança de um momento desagradável de sua infância e o associou à separação. Sendo assim, o sofrimento de João estava “multiplicado” por todas as vezes que voltou a sentiu uma emoção similar àquela. Neste momento, podemos entender a criação do primeiro e talvez principal pilar da tríade da adicção, a DEPENDÊNCIA EMOCIONAL.

Quando João teve a primeira experiência com a medicação, naquela oportunidade em que seu amigo médico ofereceu para ele que experimentasse um antidepressivo com o intuito de diminuir seu sofrimento, iniciou-se a criação do segundo e talvez mais conhecido pilar da tríade, a DEPENDÊNCIA QUÍMICA! Este pilar foi potencializado inúmeras vezes pela reincidência e sobredosagem daquela medicação.

Então, após alguns meses consumindo esta substância diariamente, João concluiu a criação da tríade através de seu último pilar, O HÁBITO! Todos os momentos em que João sentia angústia, ansiedade, mal estar, automaticamente já associava isso à falta do seu remédio, e como em qualquer hábito, tratava de resolver a questão como todas as outras vezes. Além disso, todas as vezes em que João tomava medicação, sem perceber, ele estava enviando um comando para sua mente dizendo que aquele sofrimento precisava de uma solução externa, no caso a medicação. Reforçando e retroalimentando a tríade da adicção.

Resumindo então, o que caracteriza a tal tríade? A dependência química, que é a parte mais conhecida de todos, o hábito, que muitas vezes traz diversos ganhos secundários e impede a solução do problema, e a ignorada na maioria das vezes, a dependência emocional.

Mas e o João? O que aconteceu com o tal vivente?

Conforme escrevi algumas linhas acima, conheci o João no auge de seu vicio. No momento em que ele percebeu que precisava de ajuda, João teve “mais uma vez” a sorte de ser encaminhado a mim por um dos seus amigos. Durante sua avaliação, identifiquei que se tratava da tríade, sendo assim, tratamos de resolver a questão que cabe a um hipnoterapeuta: O Pilar Emocional.

Por logica, este é sempre o primeiro a ser resolvido, não apenas por ter sido o primeiro a ser criado, mas principalmente porque sem a resolução deste, os demais não conseguirão obter sucesso. Você pode até resolver a questão química, no entanto, o sofrimento emocional continuará a buscar outras formas de se manifestar, podendo desenvolver outros vícios, compulsões ou até doenças autoimunes.

Após resolver a questão emocional de João, buscamos o contato daquele amigo que fez a primeira prescrição, e através do acompanhamento e orientação de um médico especialista, João foi capaz de reduzir gradualmente a quantidade de medicação. As perspectivas para este ano são as melhores possíveis, prevendo a alta (fim do tratamento farmacológico) do paciente para o segundo semestre (menos de um ano desde que fizemos nossa sessão terapêutica).

Obviamente que o nome do meu cliente nao é João, nem das outras duas meninas citadas na historia acima era Maria ou Joana. Mas a história é real, seu sofrimento era real e todo o processo que ocorreu antes e depois de nos conhecermos é real. João, nao só permitiu publicar sua história na íntegra, como solicitou que assim eu fizesse com a intenção de ajudar pessoas que possam estar passando pela mesma situação que ele passou. Ele acredita que é muito importante mostrar ao mundo que é possível se livrar de um vício se você tiver os profissionais certos, a orientação certa e vontade de mudar.

A propósito, nao podemos esquecer do terceiro pilar, ele também precisa de muita atenção. Neste caso, a “profissional” que está cuidando do pilar do hábito é a Joana, agora, a noiva do João. Diariamente ela ajuda João a manter-se firme no propósito, a manter-se ativo no treino e melhorando continuamente em seu “novo vício”, o esporte.

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