A tríade da adicção e a história do João PARTE II

Após este dia, João esta muito cansado mas resolve sair e desabafar com os amigos que encontrou alguns dias atrás. Eles tomam mais algumas cervejas e mais uma vez aquela substância surge. João lembrando da experiência de ter passado alguns minutos, ou horas longe do sofrimento, resolve utilizar mais uma vez. E como era de se imaginar, mais uma vez sente-se muito bem. Só que desta vez, após a experiência João pede para aquele amigo se ele poderia levar um pouco dessa substância consigo, justificando que estava passando por uma situação muito difícil e aquela substância dava a ele o bálsamo para acabar momentaneamente com aquele sofrimento.

O amigo, sem intenção alguma de prejudicar João, constatando que é real todo aquele sofrimento, entrega um pouco daquela substância para João, junto com um papel com as instruções de onde e como ele pode conseguir mais. João vai para casa, dorme, no outro dia trabalha e ao retornar para casa, todo aquele sofrimento ressurge. Prontamente João busca o resto da substância que o amigo havia entregue a ele no dia anterior, utiliza e mais uma vez sente-se bem, longe daquele sofrimento. Joao dorme e no outro dia trabalha normalmente.

Deste dia em diante, João já sabe onde buscar e como conseguir a substância, então todas as vezes em que João sente aquele sofrimento, ele vai utilizar essa substância e sem que ele perceba, a frequência e a dosagem vão gradualmente aumentando. Passam-se dias, semanas, meses ou até anos, até que em algum momento, de tanto utilizar, seu organismo adaptou-se e aquela substância já não é mais suficiente para acabar com o sofrimento.

Depois de tanto tempo passado, João nem lembra mais de Maria, ou da real origem de tudo aquilo que ele sente. Ele só sabe o que sente uma angústia gigante, um aperto no peito, uma coisa ruim e aquele sofrimento aumenta dia após dia. A substância original já não faz o mesmo efeito, o que leva João a buscar alternativas cada vez mais fortes. Além disso, a utilização destas substâncias durante tanto tempo acabaram gerando problemas. João passou a enfrentar alterações de humor, pensamentos antissociais, tendências suicidas, afastamento de sua família, falta de conexão com amigos e outras pessoas. Mesmo assim, todas as noites, ao chegar em casa do trabalho, João voltava a fazer uso daquilo.

Até que em um dia no seu trabalho, João conhece uma menina nova em seu departamento chamada Joana. Eles começam a conversar, saem juntos e após algumas semanas, iniciam um relacionamento. Passado algum tempo, Joana percebe a necessidade de João em fazer uso daquelas substâncias quase que diariamente. Ela então pede que João tome uma atitude, afinal um homem feito, responsável e bem sucedido não precisa de bengalas como aquelas. João decide se livrar daquilo de uma vez por todas e joga fora todas as reservas que tinha da substância dizendo para si mesmo que nunca mais irá precisar daquilo. Determinado, deita em sua cama mas o sono não vem.

Na manhã seguinte João vai trabalhar cansado e sentindo mais uma vez aquela angústia sem fim. Ao retornar para casa após o trabalho, João tenta distrair-se assistindo a televisão e mexendo no seu celular porém a angústia não vai embora, pelo contrário, parece que fica ainda pior. João liga pra Joana e decidem sair para comer algo na rua, mas ao se encontrarem, Joana percebe que seu parceiro está muito mal. Apos a janta, ambos vão para suas casas e João sentindo-se muito horrível busca mais uma vez aquela sensação de alivio que a substância lhe oferece.

Neste momento João percebe que parar ou nao de utilizar aquela substância já nao é uma decisão sua. Ele está adicto, ou como conhecemos mais comumente, ele esta viciado. Este foi o momento em que eu conheci João, conheci a história estou aqui contando para vocês e pude dizer pessoalmente a ele a frase que iniciou esse texto, “o problema do viciado não é o vicio”, ou melhor, o problema do adicto não é a substância somente e sim a tríade do vicio. Naquele momento, assim como diversas pessoas já haviam feito, João também ficou me olhando com aquela “cara de ponto de interrogação”.

Na próxima segunda-feira, dia 04/03 às 09:00 publicaremos a terceira e última parte da história do João, venha conferir!!

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